A Mitsubishi Motors Corporation, parte do histórico conglomerado Mitsubishi, construiu uma reputação lendária nas décadas de 1980 e 1990 com modelos como o Lancer Evolution e o Pajero. No entanto, uma série de escândalos de recall, a crise financeira de 2008 e a perda de identidade no mercado global resultaram em uma drástica redução de sua presença. Hoje, a marca sobrevive como uma divisão da aliança Renault-Nissan, com uma linha enxuta focada em SUVs e veículos híbridos. Este artigo mergulha nos detalhes técnicos, nas decisões de engenharia e nas estratégias de mercado que definiram essa montadora.
A Era de Ouro: Inovação Técnica e Domínio nos Ralis
Nos anos 1990, a Mitsubishi era referência em tecnologia de tração integral e motores turboalimentados. O Lancer Evolution, especialmente a versão VI, usava o motor 4G63T de 2.0 litros com turbocompressor, capaz de gerar até 280 cv (limite do acordo de cavalheiros japonês) e 38,0 kgfm de torque. A tração integral AYC (Active Yaw Control) permitia distribuição de torque entre as rodas traseiras, proporcionando uma dirigibilidade excepcional em asfalto e terra. No rali, o Lancer Evolution conquistou quatro títulos consecutivos de pilotos no WRC (1996-1999) com Tommi Mäkinen, consolidando a fama da marca.
Outro ícone foi o Pajero (Montero em alguns mercados), um SUV que venceu o Paris-Dakar por 12 vezes. Equipado com motor 3.8 V6 ou 2.8 turbo diesel, o Pajero oferecia suspensão independente nas quatro rodas e tração Super Select 4WD, que permitia trocar entre 2WD e 4WD em movimento. A robustez mecânica e a capacidade off-road fizeram dele um dos SUVs mais respeitados do mundo.
A Crise: Escândalos e Erros Estratégicos
A partir dos anos 2000, a Mitsubishi começou a enfrentar problemas. Em 2000, a empresa admitiu ter ocultado defeitos em veículos por décadas, resultando em recall de milhões de unidades. O escândalo abalou a confiança dos consumidores. Além disso, a empresa investiu pesado em mercados emergentes como o Brasil, com a fábrica em Catalão (GO), mas não conseguiu competir com as montadoras coreanas e chinesas em custo-benefício.
A crise financeira global de 2008 foi fatal: as vendas despencaram, e a Mitsubishi registrou prejuízos bilionários. A aliança com a PSA Peugeot Citroën não deu certo, e a empresa foi resgatada pela Nissan em 2016, tornando-se parte da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi. A partir daí, a linha de produtos foi drasticamente reduzida, com o fim do Lancer Evolution e a descontinuação de modelos como o Eclipse e o 3000GT.
Análise de Mercado: Onde a Mitsubishi Errou?
Enquanto concorrentes como Toyota e Honda diversificaram suas linhas com híbridos e sedãs globais, a Mitsubishi focou em nichos (esportivos e off-road) e depois tentou competir no segmento de entrada com modelos como o Colt e o Mirage, que eram inferiores aos rivais coreanos. A falta de investimento em eletrificação também atrasou a marca. Apenas recentemente, com o Outlander PHEV (híbrido plug-in), a Mitsubishi começou a recuperar terreno, mas ainda está longe de seu passado glorioso.
Tabela Comparativa: Modelos Icônicos vs. Atuais
| Modelo | Motor | Potência | Tração | Destaque |
|---|---|---|---|---|
| Lancer Evolution VI | 2.0 Turbo 4G63T | 280 cv | Integral AYC | 4 títulos WRC |
| Pajero 3.8 V6 | 3.8 V6 6G75 | 250 cv | Super Select 4WD | 12x Paris-Dakar |
| Outlander PHEV | 2.4 + 2 motores elétricos | 135 cv (comb.) | Integral | Autonomia elétrica 61 km |
| Mirage 1.2 | 1.2 3-cil. | 78 cv | Dianteira | Baixo custo |
Legado e Futuro
A Mitsubishi deixou um legado inegável na engenharia automotiva, especialmente em sistemas de tração integral e motores turbo. No entanto, a falta de visão estratégica e a má gestão de crises a transformaram de uma montadora de prestígio em uma coadjuvante. Atualmente, a empresa foca em SUVs e veículos híbridos, mas sua participação de mercado global é pequena. Para os entusiastas, os modelos clássicos como o Lancer Evolution e o Pajero Turbo Diesel permanecem como símbolos de uma era que não voltará.