Um buggy elétrico que promete estilo, mas exige paciência
Imagine um veículo que parece ter saído de uma praia paradisíaca, com design retrô e apelo jovem, mas que custa mais que um Toyota Corolla. Esse é o Amble One, um buggy elétrico de quatro lugares que acaba de abrir reservas nos Estados Unidos. Por US$ 25 mil (cerca de R$ 140 mil em conversão direta), o comprador leva um carro sem portas, sem janelas, sem airbags e com velocidade limitada a 40 mph (64 km/h). As entregas, porém, só começam em 2028.
Fabricado pela startup Amble, o One é classificado como Neighborhood Electric Vehicle (NEV), ou veículo elétrico de bairro. Isso significa que ele não pode circular em vias rápidas nem rodovias, sendo restrito a ruas com limite de até 35 mph (56 km/h) na maioria dos estados americanos. Em algumas regiões insulares, é permitido em vias de 45 mph (72 km/h). No Brasil, a categoria NEV não existe formalmente, o que inviabiliza o licenciamento para uso em vias públicas — o veículo ficaria restrito a condomínios, resorts e fazendas.
Com bateria de 12 kWh e motor traseiro de 20 cv (15 kW), o Amble One promete autonomia de 60 milhas (96 km) e recarga completa em 5h30 em tomada comum. A estrutura é de alumínio com carroceria polimérica, e há pontos de fixação para cestos, pranchas de surf e outros acessórios. Três dos quatro bancos rebatem para ampliar o espaço de carga.
A suspensão independente nas quatro rodas promete mais conforto que um carrinho de golfe típico, mas o preço é salgado: US$ 25 mil é o mesmo patamar de um Chevrolet Trax ou Honda HR-V zero-quilômetro nos EUA, e superior a um Corolla básico (cerca de US$ 22 mil). Para efeito de comparação, um carrinho de golfe elétrico comum custa entre US$ 5 mil e US$ 10 mil.
Concorrência e contexto de mercado
O Amble One não é pioneiro no segmento de buggies elétricos de bairro. Modelos como o Moke (versão elétrica do clássico Mini Moke) e o Myers Manx (buggy inspirado nos dunas) já circulam nos EUA com propostas similares. A diferença é que o Amble One aposta em um design mais moderno e versátil, com possibilidade de personalização.
No entanto, o mercado de NEVs ainda é nicho. Não há dados públicos consolidados de vendas nos EUA, e a maioria dos consumidores opta por carrinhos de golfe convencionais ou veículos de baixa velocidade (LSV) de marcas como Polaris e Club Car. O preço elevado do Amble One pode afastar compradores que buscam um simples veículo de lazer.
Tabela comparativa: Amble One vs. concorrentes diretos
| Modelo | Preço (US$) | Autonomia (milhas) | Vel. máxima (mph) | Lugares | Entrega |
|---|---|---|---|---|---|
| Amble One | 25.000 | 60 | 40+ | 4 | 2028 |
| Moke Elétrico | ~30.000 | 75 | 25 | 4 | Disponível |
| Myers Manx 2.0 | ~20.000 | 50 | 35 | 2 | Disponível |
| Carrinho de golfe típico | 5.000-10.000 | 20-40 | 15-20 | 2-4 | Disponível |
Vale a pena esperar até 2028?
A Amble aceita reservas com depósito de US$ 100, mas a entrega só em 2028 levanta dúvidas sobre a viabilidade financeira da startup. O mercado de NEVs é volátil, e várias empresas prometeram veículos que nunca saíram do papel. Além disso, a ausência de airbags e a limitação de velocidade tornam o Amble One mais um brinquedo do que um meio de transporte sério.
Para o consumidor brasileiro, o cenário é ainda mais complexo: além do preço elevado (que com impostos pode chegar a R$ 300 mil), não há garantia de que o veículo possa ser emplacado. A menos que o comprador tenha um resort ou condomínio particular, o Amble One provavelmente ficará restrito a propriedades privadas.
Em resumo, o Amble One é um exercício de design interessante, mas seu custo elevado, prazo de entrega distante e limitações legais o tornam uma aposta de alto risco. Para quem busca um veículo de lazer elétrico e estiloso, talvez seja melhor considerar opções já disponíveis no mercado — ou esperar por uma eventual versão de produção que, quem sabe, chegue mais cedo e com preço mais realista.


