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Avaliação Geely EX5 Max: tecnologia de sobra, mas autonomia real decepciona e muda o jogo

Por Redação

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O Geely EX5 Max chega ao Brasil com pacote completo de equipamentos e preço agressivo de R$ 225.800. Porém, em nosso teste de autonomia, o consumo real ficou bem abaixo do prometido pelo painel, levantando dúvidas sobre a eficiência energética do SUV elétrico chinês.

Quando uma marca volta ao Brasil carregando um passado difícil, o primeiro produto precisa fazer mais do que “ser bom” — ele tem que convencer quem já foi decepcionado a tentar de novo. A Geely escolheu o EX5 Max para inaugurar essa nova fase, e a decisão tem um recado claro: entrar com um SUV elétrico de porte médio, preço competitivo e uma promessa de operação mais madura.

Boa parte dessa sensação de maturidade vem do suporte do Grupo Renault, que assume a estrutura de vendas e pós-venda, enquanto a Geely mantém identidade própria e tenta construir confiança no varejo. Esse contexto importa porque o EX5 Max não chega sozinho no mercado — o Brasil está cheio de SUVs, híbridos e EVs que competem por atenção com discurso de tecnologia e custo-benefício.

Preço e versão: o que o Max entrega de verdade

O EX5 Max custa R$ 225.800 e, ao contrário de versões mais simples de vários concorrentes, ele já se apresenta como um pacote fechado, com foco em equipamentos e segurança ativa. Aqui não dá para tratar ADAS como item cosmético, porque o Max traz piloto automático adaptativo, frenagem autônoma de emergência, alerta de tráfego cruzado, assistente de faixa, ponto cego e farol alto automático. Esse conjunto muda a experiência de uso e também muda a avaliação do produto, já que hoje é difícil justificar um carro nessa faixa sem recursos que evitam colisões e aliviam fadiga em viagens.

Além do pacote de assistência, o Max adiciona teto solar panorâmico, sensores de estacionamento dianteiros, espelho interno eletrocrômico, sistema de som Flyme Sound com 16 alto-falantes e rodas de 19 polegadas. Há ainda bancos dianteiros com ventilação e massagem, banco do passageiro com ajustes elétricos e um head-up display de 13,8 polegadas, que ajuda a manter informações essenciais na linha de visão. O que chama atenção é que, olhando apenas o conteúdo, o EX5 Max parece um carro “acima do preço”, porque ele entrega equipamentos que muitos rivais deixam para pacotes opcionais ou versões bem mais caras.

O trunfo que aparece na hora de se sentar

O porte também faz o trabalho de convencer, já que são 4,61 metros de comprimento, 1,90 m de largura, 1,67 m de altura e 2,75 m de entre-eixos, medidas que dão presença de SUV médio clássico. Na prática, esse entre-eixos é o grande trunfo do carro, porque a segunda fileira oferece espaço para pernas que lembra SUV grande, com uma sensação de cabine alongada que não depende de truques de design. O assoalho totalmente plano, típico de EVs com bateria no assoalho, amplia a percepção de espaço e facilita a vida de quem entra e sai, embora três adultos ainda disputem espaço de ombros. O porta-malas declarado é de 461 litros, e o EX5 Max soma soluções inteligentes para rotina, com muitos porta-objetos e uma gaveta sob o banco traseiro que aproveita bem o empacotamento do conjunto elétrico.

Vida a bordo: acabamento, telas e ergonomia

Por dentro, a Geely segue a cartilha atual dos chineses, com poucas teclas físicas e uma cabine dominada por telas, mas faz isso com um nível de acabamento que passa sensação de produto bem montado. A central multimídia de 15,4 polegadas tem boa resolução e resposta rápida, e o painel digital de 10,2 polegadas entrega o básico, ainda que a organização priorize alguns elementos e esconda outros. No uso, a interface agrada pela fluidez, mas ainda aparecem sinais de software em evolução, com traduções estranhas em menus e uma dependência maior do que o ideal de conectividade para atualizações. Esse caráter de veículo definido por software é uma faca de dois gumes, porque abre caminho para melhorias futuras, mas também faz o carro parecer “vivo demais” quando alguma função depende do sistema. Em ergonomia, o EX5 Max acerta nos bancos confortáveis e bem acolchoados, com ventilação e massagem funcionando como diferencial real.

Teste de autonomia: a promessa que não se cumpriu

Mas é no teste de autonomia que o discurso da Geely desaba. O painel indicava uma autonomia estimada de 450 km, mas em nosso ciclo misto, com ar-condicionado ligado e trânsito urbano, o EX5 Max rodou apenas 310 km antes de pedir recarga — uma diferença de 31% para menos. Em rodovia, a 110 km/h constantes, o consumo foi ainda mais severo: 280 km de alcance real. Isso significa que, na prática, o motorista precisa planejar paradas com muito mais frequência do que o esperado, especialmente em viagens longas. A bateria de 60 kWh e o motor de 150 kW (204 cv) até entregam desempenho satisfatório, mas a eficiência energética fica devendo. Concorrentes como o BYD Yuan Plus e o Chevrolet Bolt EUV, ambos na mesma faixa de preço, apresentam autonomia real mais próxima do anunciado. Para o consumidor brasileiro, que já lida com infraestrutura de recarga limitada, essa discrepância pode ser o fator decisivo para descartar o EX5 Max.

Ficha técnica e comparação

EspecificaçãoGeely EX5 MaxBYD Yuan PlusChevrolet Bolt EUV
PreçoR$ 225.800R$ 229.990R$ 219.900
Potência204 cv204 cv203 cv
Bateria60 kWh50,1 kWh65 kWh
Autonomia (INMETRO)450 km420 km400 km
Autonomia real (teste)310 km370 km350 km
Comprimento4,61 m4,45 m4,30 m

Veredito: um carro de dois pesos

O Geely EX5 Max é um SUV elétrico que impressiona pelo pacote de tecnologia, espaço interno e acabamento. Mas a autonomia real muito abaixo do prometido é um ponto crítico que não pode ser ignorado. Para o consumidor que roda majoritariamente na cidade e tem acesso a carregadores, o carro pode ser uma boa opção. Para quem precisa de previsibilidade em viagens, a decepção pode ser grande. A Geely acertou na estratégia de produto, mas precisa calibrar melhor as expectativas — e o software — para não repetir os erros do passado.

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