A China está endurecendo as regras para veículos elétricos de luxo e altamente conectados. A partir de janeiro de 2026, apenas modelos com peso bruto de até 2.710 kg poderão se beneficiar de isenções fiscais, desde que também cumpram um limite de consumo energético de 19,1 kWh por 100 km (ciclo CLTC, equivalente a 5,23 km/kWh). A medida, apurada por nossa reportagem, expõe a preocupação de Pequim com o excesso de peso dos automóveis nacionais, que aumentou drasticamente nos últimos anos.
O peso médio dos carros chineses disparou
Em 2012, o peso médio dos carros na China era de 1.312 kg. Em 2024, esse número saltou para 1.704 kg – um aumento de quase 400 kg em 12 anos. A tendência de crescimento continuou, impulsionada principalmente pelos veículos elétricos e híbridos, classificados como "New Energy Vehicles" (NEVs). Esses modelos já pesam, em média, 2 toneladas, e alguns SUVs de luxo ultrapassam 3,8 toneladas. O governo vê com preocupação essa "engorda" generalizada, que transforma carros de passeio em verdadeiros caminhões leves.
Por que o peso excessivo é um problema?
O excesso de peso não é apenas uma questão de desempenho. Ele impacta diretamente o consumo de energia, o desgaste do pavimento, a segurança viária e até a logística de transporte dos veículos. Baterias maiores, necessárias para alimentar carros pesados, exigem mais recursos naturais e energia na produção, aumentando a pegada de carbono. Além disso, veículos muito pesados sobrecarregam a infraestrutura rodoviária e podem exigir alterações nas regras de habilitação – no Brasil, já há um projeto de lei para permitir que motoristas com CNH categoria B dirijam veículos acima de 3,5 toneladas.
A nova regra chinesa: um limite para o luxo
Para conter essa escalada, o governo chinês estabeleceu que, a partir de 2026, apenas veículos com peso inferior a 2.710 kg poderão usufruir de benefícios fiscais. Além disso, o consumo energético máximo permitido é de 19,1 kWh/100 km. Isso significa que SUVs elétricos enormes, como alguns modelos que ultrapassam 3 toneladas, perderão os incentivos, tornando-se mais caros para o consumidor. A medida força as montadoras a repensarem o design e a engenharia de seus veículos, priorizando a eficiência e a redução de peso sem abrir mão do luxo e da conectividade.
Impacto no mercado e no consumidor
A decisão de Pequim deve acelerar a adoção de materiais mais leves, como alumínio e compósitos, e o desenvolvimento de baterias mais compactas e eficientes. Para o consumidor, a tendência é que os carros elétricos de luxo fiquem mais caros no curto prazo, mas ganhem em autonomia e durabilidade. A longo prazo, a medida pode tornar o mercado chinês mais competitivo e sustentável, servindo de exemplo para outros países que enfrentam o mesmo problema.
Com informações de bastidores obtidas pelo Brasil Acelera, a nova regra já está sendo discutida por engenheiros e executivos das principais montadoras chinesas, que buscam se adaptar ao novo cenário. Resta saber se o mercado brasileiro, que já importa diversos modelos chineses, também sentirá os efeitos dessa mudança.