Houve um tempo em que a depreciação era a principal preocupação de quem comprava um carro zero-quilômetro. Hoje, com a popularização dos contratos de financiamento PCP (Personal Contract Purchase, na sigla em inglês), que garantem um valor futuro mínimo para o veículo, muitos consumidores simplesmente deixaram de pensar no assunto. Mas, segundo apuração do Brasil Acelera, essa tranquilidade pode ser ilusória.
O efeito PCP: uma cortina de fumaça?
Os planos PCP funcionam como um aluguel com opção de compra: o comprador paga parcelas mensais mais baixas do que em um financiamento tradicional, e, ao final do contrato, pode devolver o carro, pagar o valor residual garantido (VRG) para ficar com o veículo, ou usar o saldo como entrada em um novo modelo. A grande vantagem aparente é que a depreciação fica por conta da financeira. No entanto, o que muitos não percebem é que o VRG é calculado com base em uma projeção de depreciação. Se o mercado desvalorizar mais do que o previsto, o consumidor pode acabar pagando mais caro no longo prazo ou tendo menos patrimônio para negociar.
O risco do mercado de usados
Com a recente alta dos preços dos carros zero e a escassez de seminovos, a depreciação tem sido menor nos últimos anos. Mas especialistas consultados pelo Brasil Acelera alertam que esse cenário não é eterno. Fatores como aumento da oferta de veículos elétricos chineses, mudanças na política de importação e a possível retomada de patamares mais realistas de preços podem fazer a depreciação voltar a ser um vilão. Quem comprou um carro pensando apenas na parcela mensal pode se ver com um bem que vale muito menos do que deve.
Como se proteger?
Para o consumidor brasileiro, a dica é não ignorar a depreciação na hora da compra. Modelos com alta demanda no mercado de usados, como hatches compactos e SUVs de marcas consolidadas, tendem a perder menos valor. Além disso, é fundamental ler as letras miúdas do contrato PCP e simular cenários de desvalorização mais agressiva. O Brasil Acelera recomenda: antes de fechar negócio, pesquise o histórico de depreciação do modelo desejado e considere o custo total de propriedade, não apenas a prestação.
Em resumo, a depreciação não morreu. Ela apenas se disfarçou atrás de parcelas baixas e promessas de valor garantido. Mas, como mostram os bastidores do setor, o bicho pode voltar a morder.

