A Rivian aprendeu a lição: nem sempre mais é melhor. O R2, segundo SUV elétrico da marca americana, nasceu da filosofia oposta ao R1. Enquanto o modelo topo de linha foi desenhado por adição, o R2 surgiu por subtração. A informação foi obtida por nossa reportagem com fontes ligadas ao projeto.
Menos peças, mais inteligência
Jeff Hammoud, Chief Design Officer da Rivian, revelou que a ideia inicial era encolher o R1, mas o acúmulo de feedback dos clientes mostrou que era possível ir além. O R2 não é uma versão empobrecida; é um produto mais refinado. A suspensão a ar e o controle ativo de rolagem hidráulico ficaram de fora, mas a economia não veio como punição ao consumidor.
Um dos exemplos mais claros está nas portas traseiras: o vidro desce completamente, algo raro em SUVs médios. Para conseguir isso, a equipe ajustou entre-eixos, coluna B e coluna C, eliminando molduras e componentes extras. O resultado é mais visibilidade, menos arrasto aerodinâmico e produção mais barata.
Design simplificado, sem perder a alma
Os repetidores de seta, que no R1 ficavam espalhados entre espelhos, portas e molduras, foram reunidos em uma única peça no para-lama. As molduras das janelas sumiram. A tampa traseira mantém o vidro rebatível (como no Toyota 4Runner), exceto na versão Standard. Para isso, a Rivian teve que trabalhar duro na linha do teto e no spoiler.
Por dentro, a simplificação é evidente: menos faixas metálicas, menos molduras nos encostos de cabeça, menos peças no painel. A madeira, que contorna boa parte da cabine do R1, foi reduzida. Mas o banco traseiro mantém a rara divisão 40:20:40, garantindo flexibilidade para cargas longas.
Cortes calculados que fazem sentido
O capô do R2 não abre eletricamente — apenas destrava por comando elétrico. A porta de recarga mudou do para-choque dianteiro para a lateral traseira esquerda, reduzindo riscos de danos e encurtando o caminho até os sistemas eletrônicos. Isso corta peso e custo.
Os alto-falantes dianteiros saíram das portas e foram para um painel central sob o painel, reduzindo chicotes elétricos e evitando ruídos. A segunda geração do R1 já havia encurtado o chicote em 1,6 milha e reduzido de 17 para 7 ECUs. No R2, a Rivian cortou mais 2,3 milhas de fiação e combinou cinco componentes em uma única unidade que reúne carregador de bordo, conversores e gerenciamento da bateria.
Impacto no mercado e concorrência
O R2 chega para brigar com SUVs elétricos como Tesla Model Y, Hyundai Ioniq 5 e Kia EV6. Mas seu diferencial está na proposta aventureira e na engenharia enxuta. Com preço estimado entre US$ 45 mil e US$ 50 mil, o R2 promete ser mais acessível que o R1 (que parte de US$ 70 mil) sem parecer um carro de entrada.
A estratégia da Rivian é clara: cortar onde não impacta a experiência do usuário. O resultado é um veículo mais leve, mais barato de produzir e, potencialmente, mais confiável. Para o consumidor brasileiro, resta torcer para que a marca confirme os planos de expansão para a América do Sul.
Ficha técnica comparativa
| Item | Rivian R2 | Rivian R1 |
|---|---|---|
| Suspensão | Molas helicoidais | Suspensão a ar com controle ativo |
| Vidros traseiros | Totalmente rebaixáveis | Parcialmente rebaixáveis |
| Abertura do capô | Elétrica (apenas destrava) | Elétrica (abre e fecha) |
| Porta de recarga | Lateral traseira esquerda | Para-choque dianteiro esquerdo |
| Alto-falantes dianteiros | Painel central sob o painel | Portas |
| Chicote elétrico | 3,9 milhas a menos que o R1 | 1,6 milha (2ª geração) |
| ECUs | 7 (arquitetura zonal) | 17 |
| Componentes eletrônicos integrados | 5 em 1 | Separados |
Com essa abordagem, a Rivian mostra que é possível fazer um EV mais barato sem parecer uma versão de entrada. O R2 é a prova de que, às vezes, menos é mais — e muito mais inteligente.