Em uma rara e dura crítica pública, a Toyota Europe disparou contra a proposta de regulamentação 'Made in Europe' da União Europeia, alertando que a medida pode levar ao isolamento do bloco e à perda de investimentos bilionários. O presidente da Toyota Europa, Yoshihiro Nakata, afirmou que as novas regras, inseridas no Industrial Accelerator Act (IAA), correm o risco de sabotar as relações internacionais que há décadas fortalecem a indústria automotiva europeia.
O que está em jogo?
A proposta da UE visa restringir benefícios e incentivos a veículos que não sejam efetivamente produzidos dentro do bloco, afetando diretamente países como Reino Unido e Turquia, que possuem acordos comerciais e cadeias produtivas integradas. Para a Toyota, que possui fábricas no Reino Unido (Burnaston) e na Turquia, a medida representaria um golpe na competitividade e na liberdade de comércio.
Nakata foi categórico: 'Se a UE insistir em barreiras que excluam parceiros históricos, o bloco corre o risco de isolamento e de perder investimentos que poderiam ir para outras regiões. A indústria automotiva global é interconectada, e regras protecionistas podem prejudicar a todos.'
Impacto para o consumidor e o mercado
Especialistas consultados pelo Brasil Acelera apontam que, se aprovada, a legislação pode encarecer veículos de marcas como Toyota, Nissan e Ford, que dependem de plantas no Reino Unido e Turquia para abastecer o mercado europeu. Além disso, a medida pode atrasar a transição para elétricos, já que muitas montadoras contam com a produção em países não membros para atingir metas de emissões.
A Toyota não é a única a se opor. Associações de montadoras europeias já haviam manifestado preocupação, mas a declaração de Nakata é a mais contundente vinda de um alto executivo. A empresa, que investiu pesadamente em eletrificação na Europa, ameaça redirecionar recursos para outras regiões caso o ambiente regulatório se torne hostil.
O que diz a UE?
Até o momento, a Comissão Europeia não respondeu oficialmente às críticas. Nos bastidores, fontes indicam que o bloco busca equilibrar a proteção da indústria local com a manutenção de acordos comerciais estratégicos. A votação do IAA está prevista para o segundo semestre de 2026.
Para Nakata, a saída é o diálogo: 'Precisamos de regras que incentivem a produção local sem criar muros. O caminho é a cooperação, não o isolamento.'
Contexto de mercado
A declaração ocorre em meio à acirrada disputa global por investimentos em veículos elétricos. Enquanto a China avança com subsídios agressivos e os EUA aprovam o Inflation Reduction Act, a UE tenta evitar a fuga de montadoras para regiões com custos mais baixos. A Toyota, maior montadora do mundo, tem capacidade de influenciar o rumo das negociações.
No Brasil, a notícia ecoa como alerta: se a UE fechar suas portas, o mercado latino-americano pode se tornar ainda mais estratégico para a Toyota, que já produz no país modelos como Corolla e Hilux.

