O mercado de carros usados no Reino Unido vive um paradoxo: os veículos estão mais longevos do que nunca, mas o preconceito contra altas quilometragens persiste. De acordo com dados do DVLA (Departamento de Veículos e Motoristas do Reino Unido), a idade média dos automóveis nas estradas britânicas subiu para 10 anos em 2025, contra 9 anos em 2020 e 8 anos em 2018. No entanto, uma pesquisa do eBay revela que 72% dos motoristas ainda fogem de carros com mais de 100 mil milhas (cerca de 160 mil km), e 52% evitam até mesmo os que ultrapassam 50 mil milhas (80 mil km).
O estudo da Car.co.uk, que analisou quase 30 mil cotações de veículos para sucata, aponta que a idade média em que os carros são descartados subiu para quase 17 anos, ante 15 anos em 2021. Isso indica que os automóveis estão durando mais, desafiando o velho mito de que altas quilometragens são sinônimo de problemas.
Paul Toomer, fundador da revendedora CarPod, perto de Southampton, explica que os carros modernos são muito mais confiáveis e, com o aumento dos preços, os compradores estão começando a repensar suas crenças. “Um carro com 80 mil milhas hoje custa o mesmo que um com 50 mil milhas há seis anos, antes da pandemia. Desde que o histórico de manutenção seja completo, não há motivo para temer”, afirma.
O fenômeno também atinge os elétricos e híbridos, que, apesar de baterias ainda serem um ponto de atenção, têm mostrado durabilidade surpreendente. Para o consumidor brasileiro, a lição é clara: um carro bem cuidado com alta quilometragem pode ser um ótimo negócio, especialmente em um mercado onde os preços dos seminovos dispararam.
Contexto de Mercado e Concorrência
No Brasil, a idade média da frota também vem crescendo, impulsionada pela alta dos preços dos carros zero-quilômetro e pela crise econômica. Modelos como Toyota Corolla, Honda Civic e Volkswagen Gol, conhecidos por sua durabilidade, são exemplos de veículos que frequentemente ultrapassam os 200 mil km sem grandes sustos. A diferença é que, por aqui, o medo de altas quilometragens é ainda mais acentuado, muitas vezes sem fundamento técnico.
Enquanto isso, montadoras como Fiat, Chevrolet e Hyundai investem em garantias estendidas e planos de manutenção para tranquilizar os compradores. Mas a verdade é que, com a eletrônica embarcada e motores mais eficientes, um carro de 10 anos hoje pode estar em melhor estado do que um de 5 anos no passado.
Dados Técnicos e Comparativos
| Indicador | 2018 | 2020 | 2025 |
|---|---|---|---|
| Idade média da frota (anos) | 8 | 9 | 10 |
| Idade média ao sucateamento (anos) | 15 | 15,5 | 17 |
| Compradores que evitam 100k milhas | 78% | 75% | 72% |
A tendência é que, com a eletrificação da frota e a melhoria contínua da engenharia, o estigma dos 100 mil km caia ainda mais. Para o Brasil Acelera, fica o alerta: na hora de comprar um usado, priorize o histórico de manutenção e a condição geral do veículo, não apenas o número no hodômetro.