A Jaguar está prestes a dar um passo ousado rumo ao futuro elétrico com o Type 00, um sedã de luxo que promete rivalizar com Bentley e Rolls-Royce. No entanto, nem todos estão impressionados. Em entrevista exclusiva ao Brasil Acelera, Ian Callum, ex-chefe de design da Jaguar por mais de duas décadas, não poupou críticas ao conceito que deverá definir a nova identidade da marca.
'Brutal, mas não bonito'
Callum, que desenhou modelos icônicos como o F-Type, XJ e o visionário I-Pace, afirmou que o Type 00 carece de um atributo fundamental para a Jaguar: a beleza. 'O conceito é muito ousado e dramático, mas falta beleza. Não nego que seja ousado; tem proporções extremas, quase retrô demais. A ousadia é corajosa, é brutal, mas falta esse elemento tão importante do design da Jaguar', disse.
Para ele, a ausência de beleza não significa que o design seja ruim, mas sim que ele não carrega a essência que fez a Jaguar ser admirada por décadas. 'Um Jaguar precisa ser bonito. É um critério que não pode ser ignorado', completou.
O desafio da eletrificação
Além do design, Callum aponta outro obstáculo: o trem de força elétrico. 'Acho que o maior desafio do Type 00 será o fato de ser elétrico. Não é opinião, é um fato. Olhe para todos os supercarros elétricos: ninguém quer. Quem compra um supercarro não se preocupa com consumo de combustível', afirmou.
O designer veterano destacou que o público-alvo desse segmento é, em geral, mais velho – na faixa dos 65 anos – e valoriza o som do motor e a troca de marchas. 'Isso não vai durar para sempre, mas hoje é uma realidade', ponderou.
O legado de Callum e o futuro da Jaguar
Callum deixou a Jaguar em 2019 para fundar sua própria empresa, a Ian Callum Design. Seu último grande projeto na montadora foi o conceito C-X75, que nunca chegou à produção, mas ainda pode ser adquirido por meio de sua empresa. Agora, ele observa de fora a transformação da marca que ajudou a construir.
A Jaguar segue com os planos de lançar o Type 00 ainda este ano, com protótipos já rodando. Resta saber se a ousadia será suficiente para conquistar um mercado cada vez mais cético em relação aos elétricos de luxo.






