Um novo capítulo em Maranello
A Ferrari apresentou ao mundo o Luce, seu primeiro modelo 100% elétrico, em uma cerimônia realizada na Vela di Calatrava, em Roma. O local não foi escolhido por acaso: foi ali que, em 1947, a Ferrari conquistou sua primeira vitória, com o 125 S no Grande Prêmio de Roma. Setenta e nove anos depois, a marca italiana dá um passo ousado rumo ao futuro, mantendo a essência esportiva que a consagrou.
O Luce é o segundo modelo de quatro portas da história da Ferrari, mas o primeiro a abandonar completamente os combustíveis fósseis. Ele representa o pilar elétrico da estratégia multienergia anunciada pela empresa em 2022, que prevê uma gama composta por motores a combustão, híbridos e elétricos.
Design assinado por Jony Ive e Marc Newson
Um dos aspectos mais surpreendentes do Luce é o envolvimento do coletivo de design LoveFrom, liderado por Sir Jony Ive (criador do iPhone) e Marc Newson. Pela primeira vez, a Ferrari recorreu a uma equipe externa ao seu centro de estilo, comandado por Flavio Manzoni. O resultado é uma linguagem visual inédita, que reduz visualmente o porte do carro e o projeta para o futuro.
O interior é uma mistura de centenas de elementos distintos, que se harmonizam com o exterior. As lanternas traseiras em formato de halo remetem às clássicas 360 Modena e 458 Italia, enquanto as rodas são as maiores já vistas em um Ferrari de produção: 23 polegadas na dianteira e 24 na traseira.
Dentro, a Ferrari optou por um caminho oposto ao da maioria dos concorrentes: nada de telas digitais gigantes. Em vez disso, há botões, mostradores, interruptores e alavancas mecânicas de precisão, combinados com displays multifuncionais desenvolvidos em parceria com a Samsung Display. Os materiais incluem alumínio anodizado reciclado, Corning Gorilla Glass e couro premium. O sistema de áudio conta com 21 alto-falantes e amplificação de 24 canais e 3.000 W, com a exclusiva Ferrari Audio Signature.
Desempenho de tirar o fôlego
Apesar do peso de 2.260 kg em ordem de marcha, o Luce entrega números dignos de um superesportivo: aceleração de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos, de 0 a 200 km/h em 6,8 segundos e velocidade máxima superior a 310 km/h. Tudo isso graças a um trem de força elétrico que desenvolve 1.050 cavalos de potência.
A bateria de 122 kWh garante autonomia superior a 530 km no ciclo WLTP e suporta carregamento rápido de até 350 kW. A suspensão ativa é derivada da hiperesportiva F80, e o carro conta ainda com eixo traseiro direcional, que melhora a agilidade em curvas e a estabilidade em altas velocidades.
Tecnologia e patentes
O projeto do Luce gerou mais de 60 novas patentes, abrangendo desde soluções de engenharia de bateria até sistemas de refrigeração e aerodinâmica ativa. A Ferrari afirma que o carro foi projetado para oferecer o mesmo envolvimento e prazer ao dirigir que seus modelos a combustão, algo que a concorrência ainda busca alcançar no segmento de elétricos de alto desempenho.
Tabela técnica
| Especificação | Valor |
|---|---|
| Potência | 1.050 cv |
| 0-100 km/h | 2,5 s |
| 0-200 km/h | 6,8 s |
| Velocidade máxima | >310 km/h |
| Autonomia | >530 km (WLTP) |
| Bateria | 122 kWh |
| Carregamento rápido | Até 350 kW |
| Peso em ordem de marcha | 2.260 kg |
| Rodas (diam.) | 23" dianteira / 24" traseira |
Contexto de mercado
O Luce chega para competir diretamente com outros elétricos de luxo e alto desempenho, como o Porsche Taycan Turbo GT, o Tesla Model S Plaid e o futuro Lotus Emeya. A Ferrari aposta no design exclusivo, na engenharia de ponta e no DNA esportivo para justificar o preço elevado, que deve superar a casa dos 500 mil euros. Para o consumidor brasileiro, a expectativa é de que o modelo desembarque por aqui em 2027, com preço estimado acima de R$ 5 milhões.
Com o Luce, a Ferrari mostra que é possível unir tradição e inovação, mantendo a exclusividade e o desempenho que a consagraram. O futuro é elétrico, mas o Cavallino Rampante continua a galopar com a mesma paixão de sempre.