Em uma movimentação que promete redefinir seus padrões de qualidade, a Ford está desmontando um motor por dia em suas linhas de produção como parte de uma estratégia agressiva para conter a enxurrada de recalls que tem assolado a montadora nos últimos anos. A informação foi confirmada por Neil Wilson, gerente da planta de motores de Essex, em entrevista exclusiva ao Brasil Acelera.
Um problema crônico
A Ford emitiu 153 recalls em 2024, afetando quase 13 milhões de veículos – o maior número entre todas as montadoras. Em 2025, já são mais de 50 chamadas, incluindo recalls de meio milhão de SUVs por riscos internos de segurança. A situação colocou a marca sob pressão de órgãos reguladores e consumidores, forçando uma revisão profunda nos processos de controle de qualidade.
A solução: desmontagem diária
O programa, batizado internamente de 'teardown analysis', consiste em retirar um motor da linha de montagem todos os dias e submetê-lo a uma bateria de testes destrutivos. As peças são analisadas minuciosamente para detectar desgastes prematuras, falhas de material ou problemas de projeto. Segundo Wilson, a abordagem deixou de ser reativa para se tornar preditiva: 'Estamos obtendo insights reais sobre como proteger a qualidade. Não é mais uma ferramenta reativa'.
Resultados já aparecem
Os dados de garantia da Ford já mostram uma 'queda rápida' no número de reclamações, indicando que os problemas estão sendo detectados e corrigidos antes que os veículos cheguem aos clientes. A montadora não divulga números exatos, mas a tendência é de redução significativa nos recalls futuros.
Impacto no mercado e concorrência
A iniciativa coloca a Ford na vanguarda das estratégias de qualidade, enquanto concorrentes como Toyota e Honda ainda lidam com recalls pontuais. Para o consumidor brasileiro, a notícia é positiva: a Ford do Brasil deve adotar práticas semelhantes em suas fábricas, o que pode reduzir as dores de cabeça com oficinas e aumentar a confiabilidade de modelos como a Ranger e o Territory.
O custo da qualidade
Desmontar um motor por dia tem um custo operacional elevado, mas a Ford enxerga como investimento necessário. 'Se é preciso desmontar um motor por dia para evitar recalls, esse é o custo de fazer negócios', afirmou Wilson. A medida também sinaliza aos investidores que a empresa leva a sério a correção de seus problemas crônicos de qualidade.
Próximos passos
A Ford planeja expandir o programa para outras plantas e componentes, como transmissões e sistemas elétricos. A expectativa é que, em dois anos, o número de recalls caia pela metade. Resta saber se a concorrência seguirá o mesmo caminho – e se os consumidores darão uma nova chance à marca.


