A família Raptor da Ford nunca foi tão numerosa. Do icônico F-150 Raptor ao Bronco Raptor e ao Ranger Raptor, a submarca off-road se consolidou como referência em desempenho radical. Mas, para os fãs que sonhavam com versões ainda mais agressivas — como um Bronco Raptor R ou um Ranger Raptor R —, a notícia não é animadora.
A palavra oficial da Ford Racing
Em contato com nossa reportagem, o engenheiro-chefe de veículos de produção da Ford Racing, Carl Widmann, foi categórico: não há nenhum plano em desenvolvimento para versões R do Bronco Raptor ou do Ranger Raptor. Segundo Widmann, a avaliação interna é de que ambos os modelos já entregam potência suficiente — e, em alguns casos, até excessiva — para suas respectivas categorias.
O argumento técnico é sólido. O motor V6 biturbo de 3,0 litros que equipa o Ranger Raptor rende 411 cv e 59,5 kgfm de torque, números que o colocam isolado no topo do segmento de picapes médias. Já o Bronco Raptor, com calibração ligeiramente mais agressiva, atinge 424 cv e 60,8 kgfm. Para Widmann, não há concorrente à altura: a picape mais próxima fica a cerca de 30 cv de distância.
“O Ranger Raptor talvez já tenha potência demais para o segmento”, afirmou o executivo, em tom de constatação. A declaração ecoa a experiência prática: em testes recentes, o Bronco Raptor canta os pneus enormes mesmo com acelerações moderadas em baixa velocidade, evidenciando que a força disponível supera os limites de aderência em muitos cenários.
O paradoxo Raptor: quando o excesso é virtude
A decisão da Ford Racing soa contraditória para quem acompanha a história da submarca. Afinal, a própria F-150 Raptor convencional já oferecia 456 cv e 70,5 kgfm com seu V6 biturbo de 3,5 litros — potência mais que suficiente para qualquer aplicação off-road. Mesmo assim, a Ford lançou a versão R, equipada com um V8 supercharged de 730 cv, simplesmente porque o mercado e a cultura Raptor enxergam exagero como virtude.
Por que, então, não estender o tratamento ao Bronco e ao Ranger? A resposta pode estar em questões de engenharia, custo e posicionamento de mercado. Widmann deixou claro que a prioridade atual é consolidar a família Raptor como referência em equilíbrio entre desempenho e capacidade off-road, sem cair na tentação de uma corrida por cifras de potência que poderiam comprometer a dirigibilidade ou a durabilidade em condições extremas.
E o futuro? Nunca diga nunca
Ainda assim, o cenário automotivo é dinâmico. Planos podem mudar conforme a concorrência reage, a imagem da marca evolui ou decisões estratégicas são tomadas pela alta cúpula da Ford. Jim Farley, CEO da montadora, já demonstrou disposição para surpreender o mercado. Em um ano marcado por recalls e desafios de qualidade, um Bronco Raptor R com V8 poderia ser a cartada para reacender o entusiasmo dos entusiastas.
Por ora, porém, a mensagem oficial é clara: a Ford Racing não trabalha com versões R para Bronco e Ranger. Os fãs terão que se contentar com o que já está nas lojas — e, convenhamos, não é pouco.