A Leapmotor está acelerando a todo vapor no Brasil. A marca chinesa, que desembarcou por aqui em 2024 sob a batuta do grupo Stellantis, anunciou um plano agressivo de expansão: mais que dobrar o número de concessionárias nos próximos meses. A meta é abrir uma nova loja a cada três dias até o fim de julho de 2026, saltando das atuais 38 unidades para algo próximo de 80 pontos de venda espalhados por todos os 26 estados e o Distrito Federal.
Estratégia de crescimento acelerado
Segundo apuração do Brasil Acelera, a Leapmotor está aproveitando a capilaridade da Stellantis para se instalar rapidamente. As novas lojas ficarão próximas a concessionárias de Fiat, Jeep e Ram, facilitando a logística e o atendimento. A marca também usará os centros de distribuição de peças do grupo, o que reduz custos e agiliza o serviço pós-venda. Atualmente, a rede conta com 38 pontos, mas a promessa é de que até o fim de 2026 não haja nenhum estado sem representante.
Além da expansão comercial, a Leapmotor planeja nacionalizar parte de sua produção. A fábrica de Goiana (PE), que hoje monta Jeep Renegade, Compass, Commander, Ram Rampage e Fiat Toro, receberá linhas de montagem para os modelos B10 e C10. O formato ainda não foi definido — pode ser CKD (completamente desmontado) ou SKD (semidesmontado) —, mas a intenção é clara: reduzir custos e driblar impostos de importação.
Leapmotor C16: o SUV grande chega em 2027
O grande destaque para os próximos anos é o Leapmotor C16, um SUV de porte grande que será lançado no Brasil em 2027. O modelo foi apresentado ao público no Salão do Automóvel de São Paulo de 2025 e já está em produção na China desde meados de 2024. Diferentemente dos irmãos menores, o C16 não tem previsão de ser montado localmente — pelo menos por enquanto.
O C16 adota o mesmo design minimalista da linha Leapmotor, com uma dianteira limpa, faróis full LED interligados por uma fina barra luminosa, maçanetas embutidas e entradas de ar inferiores mais pronunciadas. As dimensões são generosas: 4.915 mm de comprimento, 1.905 mm de largura, 1.770 mm de altura e entre-eixos de 2.825 mm. O SUV poderá ser configurado com cinco lugares (2+3) ou seis assentos (2+2+2), com a terceira fileira de bancos.
Duas opções de motorização: BEV e EREV
Assim como o C10, o C16 será oferecido em duas variantes: uma 100% elétrica (BEV) e outra híbrida com extensor de autonomia (EREV). A versão BEV utiliza arquitetura de 800V e motor traseiro de 220 kW (299 cv), com baterias LFP de 74,9 kWh ou 81,9 kWh. As autonomias, segundo o ciclo chinês CLTC, são de 580 km e 630 km, respectivamente.
Já a versão EREV combina um motor 1.5 aspirado a gasolina de 70 kW (94 cv), que atua exclusivamente como gerador, com um motor elétrico traseiro de 170 kW (228 cv). As baterias têm 28,4 kWh ou 38,7 kWh, proporcionando alcance puramente elétrico entre 200 km e 280 km (CLTC). A Leapmotor já anunciou que o sistema REEV será adaptado para funcionar com etanol no Brasil, tornando-o flex.
Tabela comparativa de versões
| Versão | Motor | Potência | Bateria | Autonomia (CLTC) |
|---|---|---|---|---|
| C16 BEV | Elétrico traseiro | 299 cv | 74,9 kWh / 81,9 kWh | 580 km / 630 km |
| C16 EREV | 1.5 aspirado + elétrico | 94 cv (gerador) + 228 cv | 28,4 kWh / 38,7 kWh | 200 km / 280 km (elétrico) |
Impacto no mercado e concorrência
Com a expansão da rede e a chegada do C16, a Leapmotor se posiciona para brigar diretamente com SUVs médios-grandes como o Toyota Corolla Cross, o Volkswagen Taos e o Caoa Chery Tiggo 7, além de elétricos como o BYD Song Plus e o GWM Haval H6. O diferencial da marca está na oferta da tecnologia EREV, que elimina a ansiedade de autonomia sem abrir mão da eficiência elétrica no dia a dia.
O presidente da Leapmotor no Brasil, Herlander Zola, afirmou em entrevista ao Brasil Acelera que a empresa está comprometida com o mercado nacional. “Vamos mais que dobrar a rede e trazer produtos competitivos. O C16 é um SUV que atende famílias que buscam espaço, tecnologia e sustentabilidade”, disse.
A expectativa é que os preços do C16 fiquem na faixa dos R$ 200 mil a R$ 250 mil, dependendo da versão e dos incentivos fiscais. A produção local do B10 e C10 deve ajudar a reduzir custos e tornar a marca mais competitiva frente aos rivais chineses e coreanos.




