Em uma movimentação que surpreendeu o mercado automotivo europeu, a Mercedes-Benz anunciou a venda de sua rede de concessionárias na Alemanha, incluindo lojas em Berlim e outras sete áreas, para o grupo britânico Global Auto Holdings. A decisão, que já vinha sendo executada desde 2025, marca o fim de uma era em que a montadora operava diretamente suas revendas no país-sede.
Por que a Mercedes está vendendo suas concessionárias?
Diferente de outros mercados, onde as revendas são operadas por grupos independentes, a Mercedes-Benz mantinha uma rede própria na Alemanha. No entanto, a estratégia de 'Melhor Propriedade', como definiu um porta-voz da empresa, aponta que um proprietário independente pode administrar as lojas com mais eficiência. Com a venda, a montadora pretende concentrar seus investimentos no que realmente importa: o desenvolvimento e a produção de veículos de luxo e comerciais leves.
A Global Auto Holdings, que já opera concessionárias da Mercedes no Reino Unido, assumirá cerca de 1.100 funcionários e uma área de 36.000 m² conhecida como 'Salfuzer', em Berlim. A transação inclui também lojas em outras sete regiões da capital alemã. A Mercedes se comprometeu a indenizar os funcionários que optarem por permanecer nas lojas sob a nova gestão.
Cronograma das vendas
A Mercedes já havia vendido concessionárias em Koblenz, Neu-Ulm, Mainz, Dortmund e Lübeck em 2025. No início de 2026, as lojas de Aachen, Kassel, Würzburg, Wuppertal, Reutlingen e Hanover também foram repassadas a novos compradores. Segundo a montadora, o objetivo de longo prazo é vender todas as concessionárias na Alemanha.
Impacto no mercado e para o consumidor
A terceirização da rede de vendas não deve afetar diretamente os consumidores alemães, já que a Global Auto Holdings tem experiência com a marca e manterá os padrões de serviço. No entanto, a mudança reflete uma tendência global de montadoras se desfazendo de ativos de varejo para focar em produção e inovação. No Brasil, a Mercedes adota modelo semelhante, com concessionárias operadas por grupos independentes.
A decisão também levanta questões sobre o futuro do emprego no setor. A Mercedes garantiu que os funcionários serão indenizados, mas a transição para um novo empregador pode gerar incertezas. Ainda assim, a montadora acredita que a medida trará mais eficiência e permitirá que a empresa se concentre em sua competência central: fabricar carros de luxo e veículos comerciais leves.
O que esperar daqui para frente?
Com a venda completa da rede alemã, a Mercedes-Benz se junta a outras montadoras que optaram por terceirizar suas operações de venda e pós-venda. Resta saber se a estratégia será bem-sucedida e se outros mercados seguirão o mesmo caminho. Por enquanto, a empresa mantém o foco em sua linha de produtos, incluindo os elétricos da sub-marca EQ e os comerciais leves Sprinter.