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Indústria

Nissan cogita 'alugar' fábrica de Sunderland para rivais e abre as portas para chineses

Por Redação

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Em meio a prejuízos bilionários e ociosidade industrial, a Nissan admite produzir carros para concorrentes em sua planta no Reino Unido. Conversas com a Chery sinalizam uma nova era de colaboração entre montadoras tradicionais e chinesas.

A maior fábrica do Reino Unido sob pressão

A gigante de Sunderland, maior complexo automotivo do Reino Unido, pode se tornar a primeira grande montadora japonesa a abrir suas linhas de produção para rivais. Em declaração exclusiva ao Brasil Acelera, o CEO da Nissan, Ivan Espinosa, confirmou que a empresa avalia "alugar" capacidade ociosa da planta para outras marcas, em meio a conversas avançadas com a chinesa Chery. A medida reflete a crise global da Nissan, que registrou prejuízo líquido de ¥533 bilhões (cerca de £2,5 bilhões) no último ano fiscal, e a necessidade de monetizar ativos subutilizados.

O contexto: ociosidade e concorrência chinesa

A decisão de fechar uma das duas linhas de produção em Sunderland, que fabricam os modelos Juke, Leaf e Qashqai, expõe a fragilidade da demanda europeia. Com 6.000 funcionários, a planta opera muito abaixo de sua capacidade máxima. Enquanto isso, montadoras chinesas como Chery, BYD e Geely aceleram sua entrada no mercado europeu, pressionando as tradicionais. A Nissan, que já cortou 900 empregos na Europa, vê na parceria com a Chery uma forma de trazer volume e diluir custos fixos. "Se houver uma forma inteligente de trazer mais volume para dentro, podemos considerar algum tipo de arranjo", afirmou Espinosa.

O que está em jogo para o consumidor brasileiro?

Embora a fábrica de Sunderland não produza veículos para o Brasil, a movimentação sinaliza uma tendência global: a terceirização de produção entre montadoras rivais. No Brasil, a Nissan já enfrenta concorrência acirrada de marcas chinesas como BYD e GWM. Se o modelo de "aluguel" de fábricas se consolidar, pode baratear a entrada de novos concorrentes no mercado brasileiro, já que as montadoras locais poderiam ceder capacidade ociosa para marcas chinesas. Por outro lado, a medida também pode acelerar a obsolescência de plantas antigas e pressionar empregos.

Os números da crise

IndicadorValor
Prejuízo líquido (ano fiscal)¥533 bilhões (~£2,5 bilhões)
Lucro operacional¥58 bilhões (queda de 12%)
Projeção de lucro operacional (próximo ano)¥200 bilhões
Cortes de empregos na Europa900
Funcionários em Sunderland6.000

O movimento das rivais

A Nissan não está sozinha. Na Espanha, a Ford teria conversado com a Geely para vender parte de sua planta em Valência. A Stellantis já produz carros da Leapmotor em Madri e Zaragoza. A BYD, maior fabricante de elétricos do mundo, busca ativamente fábricas ociosas na Europa. "Qualquer planta com capacidade sobrando pode ser utilizada", disse Stella Li, executiva da BYD, em conferência em Londres. A tendência é que a terceirização se torne cada vez mais comum, transformando o mapa industrial automotivo.

O que diz a Nissan

Espinosa, que assumiu o cargo há um ano com a missão de cortar custos, afirmou que a empresa precisa se tornar "capaz de colaborar externamente porque é isso que o ambiente está pedindo". Ele citou o impacto das tarifas de Donald Trump sobre importações nos EUA e a competição acirrada na China como fatores que pressionam a empresa. Sobre a Chery, o CEO foi cauteloso: "Não há nada específico a anunciar, mas esse tipo de colaboração é algo que tendemos a explorar".

Impacto para o Brasil

A Nissan do Brasil, que produz os modelos Versa, Kicks e Frontier em Resende (RJ), pode se beneficiar indiretamente da estratégia global. Se a matriz reduzir custos com a terceirização em Sunderland, pode direcionar investimentos para o mercado brasileiro. No entanto, a abertura para chineses na Europa também pode significar que a Nissan priorize parcerias no exterior, deixando o Brasil em segundo plano. Por enquanto, a montadora não comenta planos para a fábrica brasileira.

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