Uma trégua geopolítica no Oriente Médio finalmente trouxe alívio aos mercados globais de petróleo. Após meses de tensão, o acordo firmado entre Estados Unidos e Irã reabriu o Estreito de Ormuz ao tráfego de navios petroleiros – rota por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no planeta. O impacto foi imediato nas bolsas: o barril do tipo Brent, referência internacional, despencou para abaixo de US$ 80, bem distante dos picos de US$ 120 registrados durante o conflito.
Para o motorista brasileiro, a notícia é animadora, mas exige paciência. É que, embora o preço do petróleo no mercado internacional tenha caído rapidamente, a redução nos postos de combustíveis não acontece na mesma velocidade. A razão está na forma como as distribuidoras e revendedores adquirem seus estoques: enquanto algumas compram carregamentos diariamente, outras operam com contratos semanais, quinzenais ou até com três semanas de defasagem.
Gordon Balmer, diretor-executivo da Associação de Varejistas de Combustíveis do Reino Unido, explicou que “operadores que compram combustível com frequência diária conseguem repassar a queda mais rápido, mas aqueles que adquiriram grandes volumes a preços elevados precisam esgotar esses estoques antes de baixar os valores”. No Brasil, a lógica é semelhante, com a Petrobras ajustando os preços nas refinarias com base na paridade internacional, mas com intervalos que podem levar semanas para refletir integralmente as oscilações do mercado externo.
Durante o auge da crise, o preço médio da gasolina no Reino Unido saltou 20%, atingindo 159,53 pence por litro (cerca de R$ 6,20 na cotação atual). O diesel, por sua vez, disparou 19% e chegou a 191,54 pence por litro (aproximadamente R$ 7,45). No Brasil, os aumentos foram igualmente sentidos: a gasolina comum ultrapassou a barreira dos R$ 6 em diversas capitais, e o diesel beirou os R$ 7, pressionando o custo de vida e o transporte de cargas.
Para o consumidor brasileiro, a expectativa é que, nas próximas duas a três semanas, os preços comecem a cair de forma mais perceptível. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) monitora diariamente a defasagem entre os preços domésticos e internacionais. Com a queda do Brent, a tendência é que a Petrobras anuncie reduções gradativas na refinaria, que serão repassadas aos postos conforme os estoques mais antigos forem sendo consumidos.
No entanto, especialistas alertam que a volatilidade geopolítica ainda é um risco. O acordo no Estreito de Ormuz é frágil, e qualquer nova escalada pode reverter rapidamente o cenário. Por enquanto, o alívio é bem-vindo, mas o motorista deve ficar atento: a queda nos postos virá, mas não da noite para o dia.
