Vendas diretas retomam protagonismo
As vendas diretas voltaram a ser o canal mais representativo do mercado automotivo brasileiro em maio. De acordo com dados apurados pela reportagem do Brasil Acelera junto à Fenabrave, 52,30% dos 264.043 automóveis e comerciais leves emplacados no mês foram negociados por meio dessa modalidade. O número reforça a importância das frotistas, locadoras e empresas na sustentação dos volumes das montadoras.
Volkswagen assume ponta entre automóveis
Se em abril a Fiat havia garantido uma dobradinha, em maio foi a Volkswagen quem comandou as ações. O Polo, com 7.681 unidades, e o T-Cross, com 6.355, lideraram o ranking geral de automóveis, ambos com mais de 67% de dependência das vendas diretas. O hatch compacto da VW superou o Fiat Argo (6.169), que havia sido o número 1 no mês anterior. O Hyundai HB20 (5.699) e o Fiat Mobi (5.622) completaram o top 5.
O domínio da Volkswagen não se limitou ao topo: o Tera (4.514), o Nivus (2.629) e o Virtus (2.493) também figuraram entre os mais vendidos, mostrando a força da marca no canal direto. Já a Fiat, mesmo perdendo a liderança entre os automóveis, manteve-se como a montadora com maior participação geral (26,62%), estendendo para 34 meses consecutivos no topo.
Fiat Strada: soberania absoluta entre comerciais leves
No segmento de comerciais leves, a Fiat Strada não deu chances à concorrência. Com impressionantes 11.929 unidades emplacadas via vendas diretas, a picape garantiu uma vantagem de quase nove mil unidades sobre a segunda colocada, a Fiat Toro (3.087). A Volkswagen Saveiro (2.744) e a Fiat Fiorino (2.493) completaram o pódio, consolidando o domínio da marca italiana no segmento.
Dependência extrema e casos atípicos
A análise dos dados revela situações extremas. O Fiat Mobi, por exemplo, teve 98,15% de suas vendas concentradas no canal direto, enquanto o Citroën Basalt (95,12%) e o Peugeot 2008 (94,41%) também dependem quase que totalmente desse mercado. No extremo oposto, o Caoa Chery Tiggo 7 registrou apenas 8,01% de participação das vendas diretas, indicando forte presença no varejo. Já os Volvo XC60 e EX30 tiveram 100% de seus emplacamentos no canal direto, reflexo da estratégia da montadora com seus concessionários.
Ranking completo dos 50 automóveis mais vendidos em vendas diretas
| Pos. | Modelo | Vendas Diretas | % Total | Total Maio |
|---|---|---|---|---|
| 1º | VW Polo | 7.681 | 72,99% | 10.523 |
| 2º | VW T-Cross | 6.355 | 67,21% | 9.455 |
| 3º | Fiat Argo | 6.169 | 74,56% | 8.274 |
| 4º | Hyundai HB20 | 5.699 | 68,19% | 8.357 |
| 5º | Fiat Mobi | 5.622 | 98,15% | 5.728 |
| 6º | Hyundai HB20S | 4.618 | 88,72% | 5.205 |
| 7º | Chevrolet Onix | 4.592 | 59,54% | 7.713 |
| 8º | VW Tera | 4.514 | 59,60% | 7.574 |
| 9º | Renault Kwid | 3.429 | 65,48% | 5.237 |
| 10º | Chevrolet Onix Plus | 2.966 | 77,93% | 3.806 |
Fonte: Fenabrave, apurado pelo Brasil Acelera.
Análise de mercado: o que os números revelam
O predomínio das vendas diretas evidencia a dependência do setor automotivo brasileiro de grandes compradores, como locadoras e frotistas. Para o consumidor final, isso significa que muitos modelos têm sua oferta no varejo reduzida, impactando prazos de entrega e negociações. A Volkswagen, ao liderar com Polo e T-Cross, mostra acerto na estratégia de produtos competitivos e na gestão de canais. Já a Fiat, mesmo perdendo a ponta entre automóveis, mantém força com a Strada, que é um fenômeno de vendas. O mercado de elétricos, representado por BYD e Volvo, ainda tem baixa penetração nas vendas diretas, com exceção dos modelos premium suecos.