A General Motors pode estar prestes a dar um passo decisivo na redução de custos de seus veículos elétricos sem sacrificar a autonomia. De acordo com informações obtidas por nossa reportagem, a montadora estuda abandonar a produção de baterias de lítio-ferro-fosfato (LFP) nos Estados Unidos e concentrar esforços em uma química mais avançada: as baterias de lítio manganês rico (LMR).
O fim das baterias LFP nos carros da GM?
Durante anos, a GM apostou nas baterias LFP como alternativa de baixo custo para seus modelos elétricos de entrada. No entanto, a empresa agora sinaliza que pode redirecionar essa tecnologia para aplicações estacionárias, como armazenamento de energia em data centers e redes elétricas. A fábrica de baterias no Tennessee, operada em parceria com a LG Energy Solution, que inicialmente produziria células LFP para veículos, agora atenderá exclusivamente clientes do setor de energia.
Em conversas com executivos da montadora, nosso time apurou que o chefe de baterias da GM, Kurt Kelty, descreveu a tecnologia LMR como o novo 'cavalo de batalha' da empresa. Segundo ele, as células LMR custarão aproximadamente o mesmo que as LFP, mas armazenarão mais energia com peso similar. 'Existe a possibilidade de que o LFP não encontre espaço em nosso portfólio', afirmou Kelty, indicando que a GM pode pular diretamente para a tecnologia LMR em seus veículos de grande volume.
Silverado EV: mais barato e com a mesma autonomia
O impacto mais imediato da mudança seria sentido na picape elétrica Chevrolet Silverado EV. Atualmente equipado com baterias NMC (níquel manganês cobalto), o modelo oferece até 640 km de autonomia. Segundo a GM, uma bateria LMR de tamanho e peso equivalentes poderia manter exatamente a mesma autonomia, mas reduziria o custo do veículo em pelo menos US$ 6.000.
Para efeito de comparação, montamos uma tabela com as diferenças esperadas entre as tecnologias:
| Tecnologia | Custo relativo | Autonomia (Silverado EV) | Aplicação principal |
|---|---|---|---|
| NMC (atual) | Alto | ~640 km | Modelos premium |
| LFP (descartada para EVs) | Médio | ~560 km (estimativa) | Armazenamento estacionário |
| LMR (futuro) | Médio (similar ao LFP) | ~640 km | Modelos de volume |
O que muda para o consumidor?
Se a GM confirmar a estratégia, os consumidores poderão esperar veículos elétricos mais acessíveis sem comprometer a autonomia. A tecnologia LMR, que a GM desenvolve há anos, promete ser o 'pão com manteiga' da marca, nas palavras de Kelty. Enquanto isso, as baterias NMC ficariam restritas a modelos de alto luxo, como o Cadillac Lyriq e o GMC Hummer EV.
A GM não está sozinha nessa corrida. A Ford também desenvolve baterias LMR, o que indica que a indústria automotiva americana pode estar migrando para essa química como padrão para veículos elétricos de massa. Resta saber se a promessa de redução de custos se concretizará e se a autonomia será realmente mantida.
Nossa reportagem continuará acompanhando os desdobramentos dessa história. Por enquanto, a mensagem da GM é clara: o futuro dos EVs pode ser mais barato, e ele se chama LMR.

