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Indústria automotiva desiste de vender dados dos clientes: estudo revela prejuízo e reação negativa - Brasil Acelera
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Indústria automotiva desiste de vender dados dos clientes: estudo revela prejuízo e reação negativa

Por Redação

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Um novo estudo da Omdia mostra que o interesse das montadoras em monetizar dados dos motoristas caiu 7% globalmente, com quedas drásticas na China (25%) e América do Norte (13%). Regulamentações, reação dos consumidores e baixa lucratividade — como os meros US$ 20 milhões da GM em quatro anos — estão fazendo a indústria repensar a estratégia.

O fim da mina de ouro dos dados automotivos

Durante anos, a indústria automotiva tratou os dados coletados pelos carros modernos como uma nova fronteira de lucro. Cada sensor, cada quilômetro rodado, cada hábito do motorista era visto como um ativo a ser vendido para seguradoras, anunciantes e governos. Mas um levantamento recente da consultoria Omdia, obtido com exclusividade pelo Brasil Acelera, revela que o entusiasmo está murchando. Entre 2025 e 2026, o interesse global em monetizar dados veiculares caiu 7%. Na China, o tombo foi de 25%; na América do Norte, de 13%. O motivo? Uma combinação de barreiras regulatórias, reação negativa dos consumidores e, principalmente, a constatação de que o negócio simplesmente não compensa.

O caso GM: US$ 20 milhões em quatro anos

O exemplo mais emblemático vem da General Motors. Após uma reportagem revelar que a montadora vendia dados de clientes sem consentimento claro, a prática foi encerrada. E o que se descobriu depois? Em quatro anos, a GM faturou apenas US$ 20 milhões com a venda de dados — um valor irrisório para uma empresa que fatura bilhões. O estudo da Omdia aponta que os dados são muito mais valiosos quando usados internamente, como vantagem competitiva para melhorar sistemas de assistência ao motorista (ADAS) e desenvolver novas tecnologias, do que como fonte de receita externa.

Mudança de foco: de dados para assinaturas

Com o recuo na venda de dados, as montadoras estão redirecionando seus esforços para serviços por assinatura. A GM, por exemplo, aposta no Super Cruise, seu sistema de direção sem mãos. A empresa afirma estar no caminho para ter mais de 850 mil assinantes do serviço até o fim de 2026. A lógica é simples: em vez de vender informações que geram desconfiança e regulamentações, é mais rentável oferecer funcionalidades que os motoristas estejam dispostos a pagar para ter — como conforto, segurança e conveniência.

O que isso significa para o consumidor?

Para o motorista brasileiro, a tendência é positiva. Com a pressão regulatória global e a reação dos consumidores, as montadoras tendem a ser mais transparentes sobre o uso dos dados. Além disso, a ênfase em assinaturas pode trazer mais inovação em sistemas de segurança e entretenimento, sem o fantasma de ter seus hábitos de direção vendidos para terceiros. O mercado de seminovos também pode se beneficiar, já que carros com sistemas avançados de assistência tendem a ter maior valor de revenda.

O futuro: vigilância ou serviço?

O estudo da Omdia deixa claro que a indústria está em uma encruzilhada. Por um lado, os carros continuarão sendo máquinas de coleta de dados — é inevitável. Por outro, a forma como esses dados são usados está mudando. Se antes a prioridade era vender, agora o foco é usar a informação para melhorar a experiência do cliente. Resta saber se as montadoras vão aprender a lição ou se novas polêmicas virão à tona. O Brasil Acelera continuará acompanhando de perto.

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